A dinâmica de sintegração foi uma novidade pra mim. No início da proposta, não tinha entendido a sua função e como funcionava. Quando começamos as discussões eu passei a compreender melhor tudo isso. Foi uma experiência muito boa e, na minha opinição, melhor do que qualquer outra em sala de aula. Não foi uma aula cansativa, não foi algo monótomo como uma palestra, não ficamos à toa e todos, sem excessão, participara. Além de tudo isso, foi possível aprender conceitos e ideias com muita facilidade porque ou você está debatendo ou você está analisando e ouvindo. Não é possível ficar sem conteúdo.
Durante a atividade, participei da discussão nos dois primeiros grupos (4 e 6), fui observador no terceiro (11) e crítico no último (15). Em todas os debates saí com uma ideia ou com um conceito mais aprofundado.
No primeiro turno participei do grupo 4: "Discutir a relação das lógicas finalística (destino / religião / previsibilidade), causalística (doutrina do progresso / desenvolvimentismo / positivismo / determinismo) e programática (abertura para o acaso, indeterminismo, incerteza) com as novas tecnologias e com as possibilidades de virtualização e potencialização." Como a atividade era nova para nós, essa primeira rodada foi um pouco embaçada para mim. Não consegui captar muitas ideias pois estava tentando primeiro entender a lógica da dinâmica de sintegração. Me lembro mais de buscar uma relação do objeto de discussão com a casa apresentada em aula (aquela que tem as paredes removíveis e reguláveis), mas não lembro muito mais que isso.
Depois, fui participante do grupo 6, ainda como debatedor: "Discutir as possibilidades de interface e interação reativas, proativas e dialógicas (conforme discutido por Haque) problematizando o deslocamento da interface para a interação (mais interessa que a interação seja dialógica com uma interface simples do que complexificar a interface)." Foi a partir desse grupo que comecei a desfrutar totalmente da sintegração. Após sair do primeiro debate com várias ideias formuladas, assim como meus colegas, foi possível ter uma discussão muito mais rica que a primeira, e o engajamento foi bem melhor. O foco do debate foi o texto de Haque, principalmente. Conversamos sobre como o digital não é sempre interativo e como o interativo não precisa ser necessariamente digital. Pensamos, em seguida, como seria uma interface dentro de um projeto arquitetônico, sem que ela fosse digital. Consegui concluir que uma interface em um projeto são simplesmente as possibilidades oferecidas por aquele projeto antes, durante e após a construção, até sua demolição. Não tinha como conferir se essa definição de interação está correta ou não, mas independentemente disso o debate me permitiu abrir a mente para essa visão de possibilidades dentro de um ambiente. Consegui pensar ideias novas e relacioná-las com os meus conhecimentos prévios, e saí de lá entusiasmado para descobrir formas de interação dentro de estruturas físicas e como os ambientes podem nos dar possibilidades diferentes.
No próximo, tive o papel de observador. Fui para o grupo 11: "Problematizar a proposta de obstáculo no contexto de abertura de possibilidades." Pessoalmente, não gostei de ser um observador. Teoricamente meu papel era anotar as ideias apresentadas, mas eu já estava fazendo isso anteriormente, principalmente no grupo 6. Então, para mim, foi como ser um debatedor que não podia falar, e em diversos momentos tive essa vontade. De qualquer maneira, não deixei de captar ideias interessantes, assim como nos outros dois grupos. Primeiramente, tentaram identificar quais eram os obstáculos presentes em certas situações. Eventualmente, chegaram à ideia de Flusser de que os objetos em si são obstáculos. Outra ideia foi de que os objetos de uma cultura em específico criam obstáculos, de várias maneiras. Objetos fecham possibilidades, mas precisamos de outros objetos para cobrir os obstáculos impostos. Após esse papo sobre objetos e obstáculos - que foi mais uma citação de textos e a tentativa de elaborar ideias a partir deles - o grupo entrou em um ponto interessante: perguntamos o quanto nós podemos interagir com algo. Concluímos que muitas interações e muitas possibilidades acabam gerando um conflito entre os possíveis usos de algo, ao mesmo tempo que poucos ou apenas um uso são muito limitadores. (Enquanto escrevia isso, lembrei de algo que disse no primeiro grupo - queria saber até onde um espaço ou um objeto pode ser explorado. Qual o limite de possibilidades que podem sair de um único objeto?). Finalmente, a nossa conversa nos levou à uma ideia apresentada no primeiro texto de AIA, na primeira aula, que dizia que quanto mais usos tem algo, mais seremos dependentes dele - como o celular, por exemplo. Assim, um objeto que apresente apenas uma função é limitador, porém não nos prende apenas à ele.
Por último, fui crítico do grupo 15: "Discutir a passagem da representação (quase-objeto) para “presentação” (não-objeto)". Com todo mundo cansado, esse foi o mais lento dos turnos. Mas foi lucrativo. Primeiro tentamos entender o que era o não-objeto e relembrar sua definição e características. Fizemos o mesmo com o quase-objeto e com o objeto normal. Depois de ter todas as definições mais ou menos estabelecidas, relacionamos todos eles com uma linha, colocando o quase-objeto em um extremo, o objeto no centro e o não objeto no outro extremo. Ao todo, a discussão foi isso, de maneira resumida. No meio da conversa alguém levantou o questionamento de se estética é uma função ou não. Alguns disseram que sim, outros que não. Eu sinceramente não me importo muito se ela é ou não uma função porque não vejo motivo de definí-la como sendo ou não. Acredito que os humanos apenas tendem a gostar mais de coisas que são estéticamentes agradáveis para cada um, dependendo do gosto. Se isso faz parte ou não de uma função não importa. Uma última consideração - como fui crítico, não participei muito do debate, mas ainda assim acredito que a minha função foi interessante tanto para mim quanto para o grupo, pois eu consegui captar todas as informações e apresentar uma espécie de síntese do que foi dito, o que ajudou na compreensão das ideias. Assim, creio que os observadores possam ser substituídos por debatedores e que os críticos são fundamentais, em qualquer turno.
Para concluir, queria dizer que essa foi uma excelente aula com uma excelente proposta. Se pudesse, faria todas as aulas da maneira como foi feita: 1. uma pesquisa prévia para que nos apossemos do conteúdo, 2. uma explicação rápida feita em aula sobre essa pesquisa, para que o conteúdo seja melhor interpretado, 3. uma dinâmica de sintegração e 4. um resumo de tudo que foi dito e aprendido - como este.
Não quero ser chato quando digo que as aulas de AIA são desgastantes. Eu sempre tive dificuldade nas escolas tradicionais por conta dessa dinâmica de palestra. Muitas e muitas horas de ficar sentado ouvindo uma explicação, com uma participação mínima dos alunos. Parece que tudo o que foi dito se perdia no momento em que eu saía da sala de aula. O único ano em que realmente me dediquei e me submeti as aulas foi no último, pois essa era a única maneira de seguir o caminho que queria e sair da escola o mais rápido possível. Achei que na universidade eu teria uma maior autonomia, mas aparentemente as aulas - todas elas - tem o mesmo formato. AIA tenta variar, mas acaba presa nesse modelo.
É claro que ela é a matéria que, até agora, conseguiu com maior eficiência fugir do tradicional, mas eu queria ainda mais. Isso tudo pra falar que essa aula me proporcionou uma experiência única, que acho que deveria ser continuada. Houve uma palestra, mas foi o necessário. Ela nos ajudou a juntar todas as ideias que tinhamos adquirido no texto e tirou as dúvidas. O resto foi uma discussão, a criação de ideias relacionadas ao conteudo, o momento da criatividade, da participação - e, pela primeira vez, todos participaram.